quarta-feira, 27 de março de 2013

A baixa remuneração

Os olhos cansados resultante da noite mal dormida, as mãos frias e o coração palpitante, eram sinais do seu nervosismo e de sua falta de tempo. Henrique era um trabalhador comum, assim como qualquer outro, ele sabia o significado de ter que sacrificar a sua vida social para conseguir pagar as suas contas no final do mês. Aquele trabalhador tinha consciência de que ao se levantar cedo, almoçar correndo e não ter tempo para ficar com a sua família e perguntar aos seus filhos como haviam sido seus dias, faziam parte de seu cotidiano. O velho homem sabia o quanto valia seu esforço para colocar a comida na mesa e oferecer uma qualidade de vida para sua família, nada mais do que R$800,00. E assim, ele começou a entender as teorias em que aprendeu quando frequentava à escola. Lembrava de um tal de Taylor, não era capaz de se recordar muito bem sobre as vantagens e desvantagens de sua teoria, mas recordava-se de sua professora dizendo que as pessoas eram vistas como máquinas, que faziam trabalhos repetitivos, não tinham uma boa qualidade de vida e ainda recebiam uma remuneração baixa. Associando essa teoria clássica à sua falta de tempo, resultante das horas gastas trabalhando e da falta de benefícios e de uma satisfação profissional e pessoal. Este senhor que havia estudado até a sexta série decidiu que era hora de fazer algo novo em sua vida. Ele se matriculou em uma escola, comprou um caderno e voltou a estudar.
Desde criança, Henrique sempre havia gostado de números, então decidiu que assim que concluísse o ensino médio, ele iria prestar um vestibular e seguiria a carreira de professor de matemática. Sendo assim, iria ajudar os seus alunos e não permitirá que eles abandonem a escola, da mesma forma que ele. O futuro professor ensinará às crianças o valor dos estudos e a importância da educação, ensinará a eles tudo o que não aprendeu quando era jovem.