sábado, 26 de dezembro de 2009

Insolente Vento


O vento que mais uma vez passava por aquelas velhas estradas. Ó insolente vento que de tanto trabalhar se cansastes.

E se ele simplesmente deixasse de trabalhar?Será que alguém perceberia? Sentiriam sua falta?Ou continuariam sua rotina?

O sol, o imenso sol continuaria a brilhar? A iluminar aquelas ruas sombrias e a transcender seu calor?

E a lua? Será que ela atreveria a se esconder? Ou continuaria a enfeitar aquelas tristes noites e a se refletir nas lagoas?






Este texto é uma comparação com a situação presenciada há muito tempo. E por maior que seja o nosso esforço para tentar fechar os olhos e esconder a realidade que nos rodeia, nunca conseguiríamos. A desigualdade social presente em nosso cotidiano ainda é muito grande.

Enquanto algumas pessoas estão no poder, recebem um alto salário, outras mal têm o que comer. E estas, infelizmente, são tratadas como seres invisíveis.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O prazer da música

A música?Ahh...a músicaa...

É tão bom escuta-lá enquanto escrevemos, dançamos, esperamos o tempo passar, nos arrumamos ou apenas quando queremos senti-lá. Quem nunca escutou uma música e disse " Essa é a minha música"? Aquelas canções que se caracterizam com você.

Há certas músicas que marcaram nossa infância, músicas que marcaram relacionamentos, amizades, o primeiro beijo, as primeiras brigas, as primeiras festas. Quando somos capazes de analisar o sentido da música, compreender o significado dela, lembramos de vários momentos, várias imagens que marcaram nossa vida. Estas passam depressa em nossa cabeça. Imagens que nem lebravamos mais, aquelas que foram apagadas pelo tempo, mas ressurgem inesperadamente. A minha canção predileta é aquela do Renato Russo chamada "Quase sem Querer".Mas ainda existe uma lista enorme de músicas com a qual me identifico. E você? Qual sua canção predileta?Dê palpite, sugestões, cite quais são as músicas que você costuma ouvir.

domingo, 20 de dezembro de 2009

O pequeno Leonardo


Ele já não se lembrava de nada.

A única recordação que restava da imagem de seu pai era a daquele homem forte que demonstrava coragem, mas escondia o medo.

Aqueles homens brutos e cruéis haviam arrombado a porta da frente.O pequeno Leonardo estava em seu quarto dormindo, quando acordou com a gritaria vinda da sala.

_ Papai...o que está acontecendo ?

E o velho pai, querendo aparentar-se dono da situação e acalmar seu filho, argumentou:

_ Esta tudo bem meu campeão. Papai terá que sair para resolver uns negócios com estes soldados, mas não demorarei muito. Eu lhe prometo. Agora eu preciso que você me prometa que vai se proteger. Saia correndo e esconda-se naquele armário do porão.

Sem compreender a situação o menino cochichou:

_ Mas...papai?

Só que suas palavras não foram ouvidas. O pai deu um beijo na testa de Leo. Mal sabia o pequeno que aquele era o último beijo que receberia de seu pai.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Infância perdida


Ela ainda se olhava no espelho

e via refletido o rosto de uma menina.

Seus olhos encharcados de mágoa e nitidez

Ainda carregavam as lembranças de sua infância perdida.

Seria ela capaz de esquecer dos momentos em que passou escondida atrás daquela extensa burka?


Aquela menina meio mulher sabia o quanto sofrera

Guardava um sentimento sombrio quando pensava na sorte em que têm as outras mulheres.

Seus direitos como cidadã foram todos levados pelo tempo.

Sua vida era como as das personagens de novela ou filmes de ficção.

Seria ela capaz de esquecer dos momentos em que passou escondida atrás daquela extensa burka?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O sentido das palavras


Um menino estava sentado,assistindo tv, quando se deparou com uma palavra anunciada por um político durante a propaganda eleitoral. Esta , entrou em sua cabeça fazendo um grande eco.

Curioso, o menino de apenas oito anos saiu correndo à procura de quem eram os donos de todas as respostas. Chegou a um passo da cozinha e perguntou :

_ Mãe! O que quer dizer Lobista?

_Hã?O que filho?

_LOBISTA...lobista mãe, o que significa?

E o pai interferiu:

_Aonde esse menino anda aprendendo essas palavras?

A mãe um pouco atrapalhada, tentou explicar ao filho:

_Bom...querido, Lobista é aquela pessoa que pertence a um Lobby.

Aliviado por ter conseguido descobrir o sentido da palavra que tanto o perturbava, ele se virou. Estava preste a dar o primeiro passo em direção à sala,quando uma nova dúvida surgiu:

_Ô mãe...o que quer dizer Lobby?

_Ai filho...Lobby?Lobby é um grupo que visa em influenciar decisões governamentais em favor de certo interesses, sabe?

_Não!Como assim certos interesses?

_Olha filho, eu acho melhor você ir jogar futebol ou brincar de alguma outra coisa. Você anda assistindo tv demais ultimamente. Agora deixa a mamãe terminar o almoço.


Em um certo dia, quand0 voltava do colégio avistei uma mãe na rua com seus dois filhos pequenos. Esta, estava exausta e cansada. Impaciente com as crianças e com a demora do marido, preferiu sentar-se à beira da calçada enquanto esperava-o. A menina, só querendo um pouco de atenção daquela que tanto amava e respeitava, esforçou- se para conversar com sua mãe, mas parece que o assunto não a agradou muito. Não recordo-me o porque da reação da mãe. Ela simplesmente virou -se para a menina e gritou " cala a boca garota" Essas palavras refletiram-se aos ouvidos do menino que brincava com seu carrinho no outro canto da calçada. Este, sem pensar no que bruscamente soou em seu ouvido, começou a repetir essa frase ." Cala a boca, cala a boca ", gritava para sua irmã. Meus pensamentos desvaneadores não me deixaram em paz. Começei a refletir sobre a cena vista. Aquelas palavras pronunciadas a uma menina que aparentava ter apenas seis anos de idade. São nessas horas que percebemos o quanto as pequenas coisas fazem a diferença. Sempre estamos reclamando da hipocrisia que esse mundo carrega em seus braços. Mas não podemos esquecer que todas as pessoas já foram crianças. E que o futuro delas está nas mãos de poucos.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

O entardecer


Hoje de manhã, entrou pela minha janela um sonho.

Voando mais alto que uma borboleta

Fluindo mais do que as águas do Velho Chico

Já não era mais capaz de preservar minhas ideias.


Sentia-me insegura a respeito de expô-las ao resto do mundo.

O medo de não ser aceita pela sociedade me perseguia

Mas chegou um ponto em que as palavras tomaram conta de mim, surpreenderam-me
Deixando o lápis guiar as minhas mãos no branco do papel.


Era como o entardecer, as ideias apagavam-se

Restando somente a esperança do novo para o amanhecer.