O trânsito de São Paulo estava semelhante ao de todos os dias, a não ser por um pequeno detalhe: O ônibus parado que congestionava à cidade transportava uma parturiente. Sim, a mulher estava prestes a ter um filho no meio daquele congestionamento caótico.
E foi bem ali, entre carros, buzinas, caminhões e bicicletas que nasceu Júnior. Desde criança aprendeu a conviver nas ruas movimentadas de sampa, e descobriu a correria e a pressa de se viver em uma metrópole, onde o tempo não parava.
As pessoas disputavam por um espaço no apertado metrô, as ruas eram sempre ocupadas por pernas apressadas que não viam a hora de chegarem em casa e os ônibus sempre passavam lotados.
Aos doze anos Júnior começou a sentir a falta de algo que ainda não sabia bem decifrar o que era. Mas o vazio que se alastrava por seu coração e invadia sua mente o deixavam atordoado.
O menino observava as pessoas: os gestos e as atitudes e percebeu o quanto elas eram frias. Não se cumprimentavam, não conversavam e não mantinham uma convivência agradável umas com as outras.
Júnior tentava entender o significado da palavra humanidade e aplicá-la nas situações do cotidiano. Talvez as pessoas só tivessem se esquecido de dizer "bom dia", "com licença" e "como tem passado?". Ou apenas tenham deixado essas palavras guardadas para usarem com outra gente. Ele não sabia explicar, mas seu coração sentia falta de humanidade.
O pequeno sentia saudade de um sentimento mais forte do que aquele presenciado em sua vida. Queria algo maior, desejava gritar para todos o quanto era grato por viver e queria demonstrar que ele estava disposto a ajudá-las. Sim, por quê não? Ele decidiu que começaria com as pessoas que estavam ao seu redor, oferecendo aquilo que o capitalismo não pode dominar, não pode comprar e depois vender. Ele começaria distribuindo a sua atenção para aqueles que quisessem simplesmente desabafar, o seu abraço e o seu bom humor e espalharia essas ideias para os outros que estivessem preparados para aderirem-as.
Muito bom!
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